segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Empresas ainda compram férias?

Não raro, ouço por aí histórias de gente que ­- entra ano, sai ano ­- continua a trabalhar sem aquele intervalo de 30 dias que chamam de férias. Muitas vezes pesa na decisão a graninha extra, que seduz o trabalhador, e a obrigação de não atrapalhar a produção final, martelando a cabeça dos chefes. Ok, pensando de forma bastante imediata, a permanência do empregado no serviço durante as férias até pode ser uma solução.

Mas na verdade o que o trabalhador busca não é bem-estar e estabilidade no emprego? Pra mim, férias servem pra respirar! É tempo de abrir a cabeça, ampliar o horizonte, conseguir enxergar tudo com mais clareza, relaxar e ganhar ânimo.

E o que o chefe poderia querer senão alguém com a cabeça aberta, o horizonte amplo, enxergando com mais clareza, relaxado e animado? Não seria esse um perfil mais propenso a um bom rendimento, a novas idéias e a um convívio harmônico com a equipe de trabalho? 

Se não for, minha visão de mercado de trabalho é realmente muito limitada. Pode ser...

Na quarta acabam as minhas férias. Foram lindos e proveitosos dias. Certamente, volto a trabalhar melhor do que a Fernanda que saiu no dia 22 de agosto. Pode ser que tenham razão aqueles que dizem que 30 dias é tempo suficiente pra descobrirem que você não é fundamental... Aí toda esta história vai pro brejo, mas ainda prefiro acreditar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Revolución


Éramos estranhas naquele lugar e os de lá sabiam isto de olhar de longe. Mesmo sem abrir a boca pra deixar evidente o portunhol arrastado e sem uma câmera fotográfica nas mãos, para dar o ar de turista, era possível ouvir um comentário ou outro dizendo: “Brasileiros”! Sim, os chilenos nos reconhecem!

A primeira impressão que o Chile me passou (vou me limitar a comentar somente esta pra que o post não fique tão cansativo) é que ele abriga um povo que sabe o que quer, além de possuir uma civilidade graciosa.


Apesar da ditadura de Pinochet ter acabado há anos, a repressão no país ainda é grande e nada melhor do que chegar lá no primeiro dia da paralisação geral, com a polícia a todo combate, para constatar isto. Logo na nossa primeira caminhada nos deparamos com manifestantes, policiais, carros blindados, jatos d’água (mirando inclusive naqueles que nem sequer protestavam, mas voltavam para casa depois de uma jornada de trabalho). Ao acaso fomos parar lá – no ninho da manifestação.

A causa não é nova: Educação; mas o contexto difere bastante do Brasil. Por lá, a universidade pública é paga (e cara, bem cara! Os preços são mais altos, inclusive, que nas faculdades privadas!).

Mas o que me chamou atenção mesmo foi a determinação do pessoal em sair às ruas, de fazer um protesto bonito de se ver. E, claro, o apoio de [quase] toda sociedade. Salvo um ou outro, os comentários eram todos muito favoráveis a tudo o que acontecia por lá. Prova disto é a adesão de grande parte dos trabalhadores em uma paralisação geral, que durou dois dias.

Dia e noite, durante 180 horas, centenas de estudantes se revezaram em uma corrida com bandeiras do país por ruas centrais. De tanto correr, venciam o frio e passavam por nós de camiseta em plena madrugada friorenta. Em outra frente, marchavam pelas ruas do centro, em percurso previamente planejado. Enfrentaram policiais, jatos d’água, gás lacrimogêneo (não foi legal a parte de descobrir na pele os seus efeitos)...

E naquela história de determinação de um lado e repressão de outro, a faixa de protesto deixava claro: “O povo não tem que temer os governantes; os governantes têm que temer o seu povo”.