segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Revolución


Éramos estranhas naquele lugar e os de lá sabiam isto de olhar de longe. Mesmo sem abrir a boca pra deixar evidente o portunhol arrastado e sem uma câmera fotográfica nas mãos, para dar o ar de turista, era possível ouvir um comentário ou outro dizendo: “Brasileiros”! Sim, os chilenos nos reconhecem!

A primeira impressão que o Chile me passou (vou me limitar a comentar somente esta pra que o post não fique tão cansativo) é que ele abriga um povo que sabe o que quer, além de possuir uma civilidade graciosa.


Apesar da ditadura de Pinochet ter acabado há anos, a repressão no país ainda é grande e nada melhor do que chegar lá no primeiro dia da paralisação geral, com a polícia a todo combate, para constatar isto. Logo na nossa primeira caminhada nos deparamos com manifestantes, policiais, carros blindados, jatos d’água (mirando inclusive naqueles que nem sequer protestavam, mas voltavam para casa depois de uma jornada de trabalho). Ao acaso fomos parar lá – no ninho da manifestação.

A causa não é nova: Educação; mas o contexto difere bastante do Brasil. Por lá, a universidade pública é paga (e cara, bem cara! Os preços são mais altos, inclusive, que nas faculdades privadas!).

Mas o que me chamou atenção mesmo foi a determinação do pessoal em sair às ruas, de fazer um protesto bonito de se ver. E, claro, o apoio de [quase] toda sociedade. Salvo um ou outro, os comentários eram todos muito favoráveis a tudo o que acontecia por lá. Prova disto é a adesão de grande parte dos trabalhadores em uma paralisação geral, que durou dois dias.

Dia e noite, durante 180 horas, centenas de estudantes se revezaram em uma corrida com bandeiras do país por ruas centrais. De tanto correr, venciam o frio e passavam por nós de camiseta em plena madrugada friorenta. Em outra frente, marchavam pelas ruas do centro, em percurso previamente planejado. Enfrentaram policiais, jatos d’água, gás lacrimogêneo (não foi legal a parte de descobrir na pele os seus efeitos)...

E naquela história de determinação de um lado e repressão de outro, a faixa de protesto deixava claro: “O povo não tem que temer os governantes; os governantes têm que temer o seu povo”.

Um comentário:

  1. Que legal o relato. Pena que, daqui, os meios de comunicação deram pouco destaque às manifestações chilenas. Foram grandiosas e a chance de ter participado delas foi única, parabéns!
    Aliás, o texto está muito bom! Comece a escrever aqui com mais frequência... nós merecemos! rs

    ResponderExcluir